Mostrando postagens com marcador mutantes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mutantes. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Poucas Trancas acerta ao combinar rock com MPB em seu 3º álbum

Box traz CD de inéditas e DVD com shows da banda
No terceiro álbum da banda Poucas Trancas, intitulado Pare! Olhe! Escute!, fica nítida a evolução deste quarteto de Santo André, que volta à sua formação original, com Rodrigo Regis (voz, teclado, sintetizador e violão), Leandro Sant´Ana (baixo e voz), Tiago Silva (guitarra) e João Frandom (bateria e percussão).
Não há como evitar o termo amadurecimento, que neste caso está mais relacionado à consistência das novas composições do que com a velha idéia de que amadurecer signifique tornar-se mais sério, mais confessional e perder aquela energia juvenil, um sintoma que acomete muitas bandas em determinada fase de suas carreiras.
A irreverência e a inventividade sempre foram marca registrada da banda, que aqui parece estar totalmente à vontade, sem receio de deixar transparecer suas maiores influências, em canções que carregam no DNA traços genéticos de Mutantes, Secos & Molhados, Raulzito e muitos outros artistas da MPB setentista, porém com muita qualidade autoral e personalidade.
A introdução da faixa título tem forte semelhança com o The Who, da fase Who’s next, iniciando com uma programação de sintetizador e viradas de bateria no melhor estilo Keith Moon, para logo em seguida adquirir contornos mais abrasileirados, soando como o seminal Tutti-Frutti, banda que acompanhou a roqueira Rita Lee em sua época áurea.
E o rock predomina nas faixas seguintes, como em Ponto de Vista, que tem um poderoso um riff de guitarra e uma melodia envolvente, e na frenética Antes que eu me esqueça, ambas em clima de total descontração, repletas de versos irônicos, mas sem deixar de fazer críticas bem humoradas à sociedade moderna.
A letra de Avenida do Estado (confira no vídeo abaixo), uma das melhores do álbum, é uma divertida crônica sobre os contrastes de uma das vias mais movimentadas do ABC paulista, e tem um dos versos mais bem sacados do disco “Me esgoto com esse cheiro de esgoto/ Na pista overdose de concreto/ e liga com asfalto o ABC ao resto do alfabeto”. 
Vale destacar também as ótimas Antes tarde e Obama ama obá, que trazem à tona a baianidade intrínseca na identidade musical da banda, mantendo o alto astral e evidenciando toda a versatilidade dos rapazes, que parecem não reconhecer as fronteiras entre o rock e a MPB, qualidade que herdaram de seus ídolos tropicalistas.
Apesar de ter apenas 8 faixas, mais uma vinheta de encerramento, a combinação de três elementos fundamentais, como criatividade, talento e bom humor, desde já, faz deste álbum um forte nome a figurar nas listas de melhores lançamentos do ano (ao menos neste blog já tem lugar garantido!).
Além do CD de inéditas, o Box de Pare! Olhe! Escute! traz ainda um DVD com registros da banda ao vivo, em apresentações no II Festival da cultura industrial (2010) e na Virada Paulista (2011).
E você pode conferir tudo isso ao vivo, no show de lançamento que vai rolar dia 29/07, no Teatro Lauro Gomes, em São Bernardo do Campo, com participações especiais de Edvaldo Santana e Claudinho Brasil.
Quer assistir este show na faixa? Então deixe uma mensagem nos comentários deste post até 25/07, dizendo por que você quer ir. Não esqueça de deixar seu nome completo e e-mail para contato. O autor da frase mais criativa vai levar um par de ingressos.

domingo, 19 de junho de 2011

Mopho volta em grande estilo com Vol. 3

A cultuada banda alagoana Mopho, que resgatou a psicodelia dos anos 60 em pleno ano 2000, quando debutou em disco pelo selo Baratos Afins, lançou recentemente seu terceiro registro de estúdio, intitulado Vol. 3, pela Pisces Records.
Diferentemente do álbum anterior Sine Diabolo Nullus Deus (2004), gravado com apenas dois intregrantes da banda, aqui o Mopho retorna no formato de quarteto, com João Paulo na guitarra, Júnior Bocão no baixo,  Hélio Pisca na bateria e o novo tecladista Dinho Zampier.
O que diferencia este disco dos anteriores é a produção que deixou o som da banda mais límpido, fazendo com que cada instrumento e a voz sejam reproduzidos de maneira mais cristalina, com o devido cuidado para que nada soe pasteurizado. E o resultado final deve agradar bastante os velhos fãs.
As letras, que até então faziam o gênero romântico-viajandão, aqui estão mais inclinadas para questões existenciais, filosóficas e uma boa dose de surrealismo.
Além da psicodelia inspirada em Beatles e Mutantes, que sempre esteve presente na música do Mopho, agora eles acrescentam uma dose de Pink Floyd na receita e fazem ousadas incursões no Space rock e no rock progressivo, trazendo novas tonalidades ao seu mosaico multicolorido.
O álbum  conta com participações especiais de músicos consagrados, como Luiz Carlini (ex-Tutti-Frutti) que toca uma bela guitarra Lap Steel em A Malvada, Wado empresta a voz em Quanto vale um pensamento seu, Marco Túlio Souza toca violão 12 cordas em Caleidoscópio e Billy Magno toca clarinete e piano em Prelúdio.
A arte do encarte feita por Paulo Blob acrescenta ainda mais beleza ao trabalho, com cenários deslumbrantes e figuras que remetem aos quadrinhos do Sandman. Mais uma vez o Mopho  acerta, gravando outra preciosidade que merece ser ouvida com atenção, por todos que apreciam belas melodias, embebidas em fontes lisérgicas .Ouça abaixo a faixa "O infinito" e boa viagem!